Vilhena intensifica fiscalização no trânsito com radares e nova engenharia viária
Secretário Rogério Dias defende que medidas são necessárias para reduzir acidentes e salvar vidas
A implantação do sistema de fiscalização eletrônica e as mudanças na engenharia de tráfego colocaram o trânsito de Vilhena no centro do debate público nas últimas semanas. O tema foi amplamente discutido no programa Papo de Rua, apresentado pelo jornalista Paulo Mendes, que entrevistou o secretário municipal de Trânsito, Rogério Dias, diretamente nas ruas da cidade.
Durante a conversa, Rogério Dias contextualizou as medidas adotadas pela Prefeitura e defendeu que Vilhena chegou a um ponto em que o controle mais rigoroso se tornou inevitável. Segundo ele, o município vive um crescimento acelerado há anos, sem que o trânsito acompanhasse essa evolução. Hoje, Vilhena se aproxima de 100 mil habitantes e conta com uma frota que já ultrapassa 80 mil veículos, uma das maiores proporções per capita de Rondônia.
Crescimento sem controle e consequências graves
De acordo com o secretário, a ausência histórica de fiscalização efetiva criou uma cultura de desrespeito às regras de trânsito. O reflexo disso aparece em números alarmantes de acidentes, feridos e mortes, além do impacto direto na saúde pública.
"Mais de 80% dos atendimentos ortopédicos no hospital regional estão ligados a acidentes de trânsito. Isso representa milhões de reais por mês que poderiam estar sendo investidos em qualidade de vida, infraestrutura urbana e mobilidade", explicou o secretário.
Para Rogério Dias, fiscalizar não é apenas punir, mas salvar vidas e reduzir gastos públicos.
Radares entram em operação com números expressivos
Durante o período inicial de testes do novo sistema, os dados já chamaram atenção. Segundo o secretário, entre os dias 17 de janeiro e o início de fevereiro, mais de 6.600 registros de infrações foram contabilizados. Em alguns casos, o mesmo veículo foi flagrado mais de 25 vezes em situações irregulares.
O sistema está sendo implantado em 18 pontos estratégicos da cidade, cobrindo 25 faixas de rolamento. As infrações monitoradas incluem excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa de pedestres.
📋 Valores das Multas
- Até 20% acima do limite: Infração média, com multa em torno de R$ 130 e 4 pontos na CNH
- Entre 20% e 50%: Infração grave, com multa próxima de R$ 195 e 5 pontos
- Acima de 50% do limite: Infração gravíssima, com multa multiplicada por três e 7 pontos na carteira
O secretário ressaltou que toda a arrecadação será obrigatoriamente revertida em melhorias no próprio trânsito, como sinalização, novos semáforos, equipamentos e ações educativas.
Mudanças viárias e mão única
Outro ponto abordado foi a transformação de diversas ruas de mão dupla em mão única, especialmente na região central. Rogério Dias explicou que a medida segue critérios técnicos de engenharia de tráfego e é tendência em cidades que crescem rapidamente.
Agentes de trânsito e fiscalização presencial
Além da tecnologia, a Secretaria aposta no reforço humano. Novos agentes de trânsito, aprovados em concurso, devem ir às ruas para coibir infrações como estacionamento irregular, uso indevido de vagas especiais e ultrapassagens perigosas, incluindo pela direita.
As autuações feitas pelos agentes terão fé pública, mas o cidadão continuará tendo direito à defesa prévia, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Transporte coletivo como alternativa
O secretário também destacou investimentos no transporte coletivo urbano, operado pela concessionária local, que atende mais de 2,5 mil usuários por dia, especialmente estudantes. A expectativa é que o fortalecimento do sistema ajude a reduzir o número de carros e motos nas ruas.
População dividida, mas consciente
Ao final do programa, moradores ouvidos nas ruas demonstraram opiniões diversas. Muitos reconhecem que a fiscalização vai pesar no bolso, mas concordam que a medida é necessária para reduzir acidentes. Outros criticam limites de velocidade considerados baixos ou apontam problemas estruturais, como buracos nas vias e semáforos de pedestres inoperantes.
Apesar das divergências, a percepção geral é de que o trânsito de Vilhena precisa mudar.
"Nova cultura no trânsito"
Encerrando a entrevista, Rogério Dias afirmou que o objetivo da gestão é construir uma nova mentalidade entre os motoristas.
A partir deste mês, com os radares em plena operação e os agentes nas ruas, Vilhena entra oficialmente em uma nova fase da sua política de mobilidade urbana — polêmica, necessária e, segundo a administração, irreversível.



