Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Léo Moraes viaja mais do que presidente Lula; irmão gosta da ideia e vai no mesmo caminho, além do vice-rei Anderson Parente, que parece que curte mais uma praia

Nas nuvens
Porto Velho vive uma competição silenciosa, dessas que não aparecem em ranking oficial: quem passa mais tempo longe do gabinete, o ex-prefeito Hildon Chaves (União Brasil) ou o atual ocupante da cadeira, Léo Moraes (Podemos). O detalhe irônico (quase pedagógico) é que Léo construiu boa parte do seu capital político criticando exatamente o comportamento que agora reproduz, com um tempero adicional: menos clareza e mais roteiro.
Blá-blá-blá
Quando não está embarcando, o prefeito está gravando. Takes, reels, frases ensaiadas. Um reality diário em que governar virou cenário e administrar, figurante. Hildon viajou. Muito. Foi cobrado. À época, o discurso era o clássico do manual municipalista: Brasília, convênios, emendas, articulações.
Viajandão
Nada de novo sob o sol, nem nas viagens, nem nas críticas. Léo, então candidato, surfou nessa onda, prometeu presença, proximidade, ruptura com os vícios do antecessor. Promessa feita, promessa esquecida no saguão do aeroporto. O homem que dizia ser “coligado com o povo”, agora parece ser coligado com as milhas acumuladas com tantos check-ins, seja no balcão ou na internet.
Descanso
E valendo um algodão doce, advinhe onde está Léo agora, neste exato instante? Sim, viajando. Agora sim, de férias “oficiais”, com direito à postagem e tudo nas redes sociais com a família inteira no avião, ambiente que ele conhece bem. Deve saber até o nome dos pilotos e dos comissários de bordo, já que os voos para Porto Velho são escassos.
Grana
Um levantamento rápido, nada muito sofisticado, só cruzando agendas públicas, atos oficiais e aparições nas redes, indica que Léo já passou perto de 20% do seu primeiro ano de mandato fora da cidade. A diferença é estética: agora a ausência vem embalada em storytelling, edição caprichada e trilha emocional. O destino é detalhe; o que falta mesmo é transparência sobre custos, objetivos e, principalmente, resultados práticos para Porto Velho.

Só agá
Mas o problema não é só a mala sempre pronta. É o balcão vazio. Nesta semana, a prefeitura entrou em modo “piloto automático”. Léo saiu e não transferiu formalmente o comando à vice-prefeita. Não foi lapso administrativo: foi birra política. O bastão caiu no chão. A máquina seguiu rodando sem chefe declarado, sem despacho final, sem liderança institucional. Algo incompatível até com gestão amadora, quanto mais com um governo que se autointitula técnico.
Sombra e água fresca
Desta vez, curiosamente, o prefeito tirou férias com a família. Direito legítimo, sem dúvida. O que chamou atenção foi a ausência do seu pupilo de sempre, Anderson Parente, também invisível pelos corredores onde deveria dar expediente. Nada de bastidor, nada de câmera, nada de óculos escuros. O descanso foi em modo privado, raridade para quem transformou a vida pública em série diária.
Os intocáveis
Enquanto isso, segue “imaculado” o núcleo paralelo instalado dentro da prefeitura: uma equipe inteira, bem paga, oficialmente lotada no município, mas dedicada quase exclusivamente à gestão das redes sociais do prefeito. Uma espécie de agência de marketing pessoal funcionando dentro da máquina pública, como se Porto Velho fosse apenas um case de branding.
Exaltação da “persona”
A pergunta incômoda permanece: onde termina a comunicação institucional e começa a autopromoção? Quando metade das matérias oficiais carrega nome, foto e protagonismo do prefeito, não se trata mais de informar. Trata-se de construir imagem. E imagem custa caro. Custa dinheiro público, custa institucionalidade, custa governabilidade. Custa, sobretudo, o respeito às regras mais básicas da administração.
Mais lá do que cá
Porto Velho não precisa de um prefeito turista, muito menos de um influencer em tempo integral. Precisa de gestão, presença e responsabilidade. Porque quando o governante passa mais tempo embarcando do que governando, alguém sempre acaba desembarcando em lugar nenhum.
Marzão
Maceió, capital de Alagoas, é conhecida por ostentar uma das orlas urbanas mais bonitas do país: mar verde-azulado, coqueiros perfeitamente enquadrados e piscinas naturais dignas do eterno rótulo de “Caribe brasileiro do YouTube”. São mais de 40 quilômetros de litoral, com cartões-postais como Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca, além dos passeios clássicos às falésias do Gunga e ao litoral sul.
Animação
Um cenário que mistura capital organizada com clima de férias permanentes, ideal para quem busca beleza natural e fotos instagramáveis. Em fevereiro, Maceió vive o auge da alta temporada e figura entre os destinos mais disputados do Carnaval. A cidade já respira festa com prévias animadas e programação carnavalesca concentrada na primeira quinzena do mês. Um prato cheio para turistas. E, ao que tudo indica, também para alguns servidores públicos bem posicionados.

Ele também vai
Quem já está com o protetor solar separado é o assessor pessoal de mídia e redes sociais do prefeito de Porto Velho. Ele embarca rumo ao badalado destino acompanhado de sua assessora particular de agenda, com uma missão nobre e altamente científica: “aprender, na prática e in loco, novas técnicas de cobertura de eventos sazonais de grande porte junto à Secretaria de Comunicação de Maceió”. Nada como estudar Carnaval na praia, com tudo incluso.
Protegido do “homi”
Pelo menos é isso que consta na publicação de 30 de janeiro de 2026 do Diário dos Municípios de Rondônia. Um gesto de generosidade administrativa digno de registro histórico: passagem, diárias e estadia custeadas em plena alta temporada, no destino mais concorrido do verão brasileiro. Um privilégio que, curiosamente, nenhuma gestão anterior havia concedido. Coube ao prefeito Léo Moraes inaugurar essa modalidade de “capacitação tropical”.
Anderson Parente da Costa
O servidor comissionado em questão é o responsável direto pela comunicação institucional da Prefeitura de Porto Velho, especialmente pelas redes sociais. Coordena uma equipe de seis profissionais, todos também nomeados em cargos comissionados e remunerados com recursos públicos. Pagos pelo contribuinte comum, comerciantes e empresários da capital.
Secretário oculto
Essa equipe opera de forma isolada em um verdadeiro “bunker” montado no prédio do relógio, com acesso restrito e pouca transparência. Uma bolha digital dedicada quase exclusivamente à imagem do prefeito. Dizem as boas e más-línguas do prédio do Relógio, que quem manda na comunicação de fato é ele. Porém, não entende nada de termos técnicos, em nenhum ramo da comunicação. Que o diga o pessoal da agência que cuida da mídia da prefeitura.

E aí?
Vamos continuar na expectativa se, após os cinco dias de sol, mar e confetes, haverá prestação de contas, relatórios técnicos e justificativas concretas para a viagem. A reportagem também já articula contatos para confirmar se existe, de fato, uma agenda oficial consistente com a Prefeitura de Maceió ou se o intercâmbio se resume ao velho método empírico do “aprendizado à beira-mar”.
Camarões e…
A viagem já começou e segue por cinco dias, tempo suficiente, segundo a lógica adotada, para “renovar energias e conhecimentos técnicos” e retornar a Porto Velho com a alma lavada, o repertório atualizado e o marketing do prefeito devidamente energizado pelo sol do autointitulado Caribe brasileiro.
Mano velho
Segundo o vereador Marcos Combate, a Semtel (Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer) gastou R$ 176.850,00 em diárias no último ano, sem contar passagens. Desse total, R$ 44.800,00 foram apenas para o secretário Paulo Moraes Júnior, em viagens por vários estados. O esporte de Porto Velho segue abandonado, sem uniformes e sem resultados concretos.

Ih, mano…
E Combate fez a pergunta que todos querem saber: “qual foi o retorno dessas viagens para a população? Em uma delas, toda a equipe administrativa saiu do estado. Para quê? Qual foi o resultado? Os órgãos de controle precisam agir: TCE-RO e MP-RO”.
Mano viajado
Vendo o belo exemplo do irmão-chefe, Paulo Moraes Júnior parece que está gostando da ideia de fazer turismo, digo, viagens institucionais bancadas com dinheiro dos impostos. E como tal e qual, fazer aquelas firulas nas redes sociais. Mesmo tendo muito menos carisma do que o prefeito-chefe e sem tanta estrutura. Já que quer ser candidato a deputado estadual, parece que as viagens vão se tornar cada vez mais rotineiras.
*Esta coluna foi escrita utilizando informações divulgadas pela Coluna da Hora, escrita por Géri Anderson no mês de fevereiro de 2026.
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