Hoje é sexta-feira, 22 de maio de 2026


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Coluna ESPAÇO ABERTO – Quando a desinformação tenta virar método: ataques anônimos, suspeitas reais e o risco de confundir justiça com linchamento

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

BOATARIA

Foto: Reprodução / Inteligência Artificial

Nos últimos dias, circularam em grupos de WhatsApp números supostamente atribuídos ao portal Espaço Aberto, apontando acessos pífios e contratos de mídia considerados “vultuosos” para um veículo tratado, de forma pejorativa, como pequeno.

FRÁGIL
As informações, porém, não se sustentam em fatos verificáveis, nem resistem a uma análise minimamente técnica.

ESCONDIDO
Ainda assim, ganharam espaço no ambiente mais fértil para a desinformação: o anonimato digital.

FATO
É preciso separar, com rigor, três coisas distintas: denúncias reais que estão sob investigação, boatos fabricados para arranhar reputações e o uso político da dúvida como arma.

CONSOLIDADO
O Espaço Aberto existe há quase sete anos. Nesse período, mantém produção própria diária, com coluna política publicada todos os dias — uma regularidade que, goste-se ou não da linha editorial, é objetiva e mensurável.

Foto: Reprodução / Photoshop

CONSOLIDADO 2
Não torna o portal melhor nem pior que outros, mas desmonta a narrativa de improviso ou inexistência de conteúdo. Produção diária é fato, não opinião.

PESSOAL
Também é fato que dados de audiência não são públicos nem acessíveis a terceiros.

PESSOAL 2
Ferramentas como Google Analytics são pessoais e restritas ao administrador do portal e, quando necessário, às agências de publicidade responsáveis por contratos institucionais. justamente para fins de comprovação de entrega.

PESSOAL 3
Qualquer número divulgado fora desse circuito levanta uma pergunta simples: de onde saiu essa informação?

“LARANJA”
Nesse ponto, chama atenção outro elemento grave: a postagem teria sido feita por um perfil inexistente, possivelmente operado com chip frio, segundo informações já levantadas.

COVARDE
Ou seja, alguém que optou deliberadamente pelo anonimato para lançar ilações.

Foto: Reprodução / Inteligência Artificial

IRRESPONSABILIDADE
Não se trata de crítica aberta, identificada e responsável, mas de uma tentativa de corrosão reputacional sem autoria, sem prova e sem compromisso com a verdade.

INVESTIGAÇÃO
Há, sim, investigações em curso no Ministério Público de Rondônia envolvendo possíveis fraudes em acessos e uso de robôs em contratos de mídia pública.

PUNIÇÃO
Isso é público e deve ser apurado até as últimas consequências. Se houve crime, que os responsáveis sejam identificados, processados e punidos.

ILAÇÃO
O que não é aceitável é transformar investigações legítimas em cortina de fumaça para ataques genéricos, onde todos viram suspeitos e a dúvida passa a valer mais que o fato.

AUTORIA
Nesse contexto, surgiu a insinuação de que as mensagens em grupos de WhatsApp teriam partido de alguém a mando do vereador Everaldo Fogaça.

CONTRAPONTO
A coluna procurou o parlamentar, que negou qualquer envolvimento. Mais do que isso: Fogaça afirmou que tem se mantido afastado das redes sociais em razão de acordo firmado com o Ministério Público, justamente para evitar novas controvérsias.

PREJUÍZO
Segundo ele, não faria sentido algum se envolver em polêmica sabendo que seria o maior prejudicado diante de compromissos judiciais já assumidos.

REGISTRADO
A negativa foi registrada. E, em jornalismo sério, negativa documentada não pode ser ignorada nem relativizada por conveniência narrativa.

INVESTIGADO
Ao mesmo tempo, é impossível ignorar que o nome de Fogaça aparece em investigações conduzidas pelo MPRO.

INVESTIGADO 2
Segundo o Ministério Público, o vereador teria idealizado e liderado um esquema estruturado para desviar recursos públicos destinados à publicidade institucional em Rondônia.

INVESTIGADO 3
A apuração aponta o uso de uma rede de sites sem audiência real ou atuação jornalística comprovada, com acessos inflados artificialmente por robôs, para captar verbas públicas.

INVESTIGADO 4
O esquema teria se intensificado no período eleitoral de 2022, movimentando milhões de reais e prejudicando portais consolidados.

INVESTIGADO 5
As investigações avançaram a ponto de envolver uma ex-secretária de Comunicação do governo estadual e uma agência nacional de publicidade, que acabou perdendo a conta oficial do governo.

OPINIÃO
Trata-se de um caso grave, com impactos diretos no mercado de mídia, na credibilidade institucional e na relação entre poder público e imprensa.

OPINIÃO 2
É justamente por isso que o debate precisa ser feito com responsabilidade. Misturar denúncias formalizadas com ataques anônimos é um desserviço.

OPINIÃO 3
Usar suspeitas reais como munição para atingir veículos específicos, sem prova, é injusto.

OPINIÃO 4
E permitir que boatos circulem como se fossem dados técnicos é abrir mão de qualquer critério jornalístico.

OPINIÃO 5
Se há sites laranjas, robôs, contratos fraudulentos e esquemas milionários, que tudo seja esclarecido com transparência e rigor.

OPINIÃO 6
Empresários e jornalistas idôneos não podem ser colocados no mesmo balaio da suspeição apenas porque alguém decidiu jogar números aleatórios em um grupo de WhatsApp.

OPINIÃO 7
Dúvida não é prova. Insinuação não é fato. Anonimato não é credibilidade.

OPINIÃO 8
A imprensa não pode aceitar que a dúvida vire método e o boato vire instrumento político.

OPINIÃO 9
Investigar é dever do Ministério Público. Julgar é papel da Justiça. E informar exige responsabilidade, especialmente em um ambiente onde reputações podem ser destruídas com um clique — e reconstruídas, quando muito, com anos de trabalho.

FRASE
A credibilidade não vem do número de seguidores, mas da confiança conquistada.



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