Hoje é domingo, 5 de abril de 2026


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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: AS ELEIÇÕES, AS ALIANÇAS E OS PALANQUES…

Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: AS ELEIÇÕES, AS ALIANÇAS E OS PALANQUES…

 O Natal ficou para trás, e as pessoas que eram tão fraternas na semana de 20 a 25 de dezembro voltaram a cuidar da vida alheia e esquecer da própria. A virada de ano ficou para trás, e muitas pessoas que se abraçaram em 31 de dezembro, pregando a fraternidade, já alimentam a inimizade novamente nas redes sociais. O período de férias e recesso estão encerrados. A partir de agora, começam os novos projetos pessoais; a volta ao trabalho de muita gente que estava viajando em férias; os partidos políticos se preparam para definir suas listas de candidatos e viajam a Brasília para negociar seus quinhões do Fundão Eleitoral; os políticos que ficaram 4 anos sumidos voltam a circular nos municípios do estado, em busca de aliados para a campanha eleitoral; gestores políticos começam a rever nomeações e fazer as exonerações para abrigar eventuais cabos eleitorais; os torcedores se preparam para ver a Copa do Mundo no meio do ano. A competição mundial de futebol será em junho, mas todos os brasileiros já estão acostumados. A questão principal agora é que voltamos à realidade, e os candidatos se preparam para a competição que dará a eles o mandato de 4 ou 8 anos. É isso que vale! Começou o ano… Ufa!!!

 As articulações, conversas e reuniões entre eventuais candidatos estão cada dia mais intensas. É a festa da democracia! A questão crucial é que existem dois tipos de democracia, quando se trata de eleições. O tipo mais conhecido é aquele que o eleitor escolhe seus candidatos, vai às urnas e vota. O outro tipo é aquele que os caciques nacionais dos partidos fazem reuniões fechadas, em salas de luxo de Brasília, decidem como serão as alianças. Isso porque as coligações são definidas pelos dirigentes nacionais. Isso mudou há pouco tempo, em 2017. Antes disso, os partidos podiam fazer alianças partidárias nos estados, completamente diferentes das alianças nacionais. Mas o Congresso Nacional mudou a regra. E por que mudaram as regras? Porque interessa aos partidos ter o controle total nos estados. Os caciques nacionais decidem e pronto!  Nos estados, os lideres de partidos têm apenas que cumprir. Atualmente, por exemplo, existem casos de decisões que saem até da Papuda e os estados aceitam. Esse é o caso de Santa Catarina e a moda pode chegar a Rondônia. Por causa dessa situação, muitos políticos de nosso estado, até agora, não definiram que cargo irão disputar, porque eles dependem de ordens lá de cima. Esse é o principal motivo das indefinições em diversas siglas de Rondônia.

 Entretanto algumas dessas definições devem ocorrer já no mês de março, quando será aberta a janela partidária, chamada por muitos de “janela da traição”, quando os deputados estaduais, distritais e federais podem mudar de partido, sem o risco de perder o mandato. A janela partidária ocorre no fim do mandato. A regra também vale para vereadores, no caso de eleições municipais. Então, deputados estaduais e federais de Rondônia esperam a abertura da janela, que será no início de março. Eles terão até o dia 4 de abril para mudar de partido, caso queiram, e participar das eleições. Assim, os caciques regionais buscam hoje convencer deputados estaduais e federais a mudarem de sigla, com o argumento de fortalecer grupos e eleger o máximo de candidatos que puderem, no dia 4 de outubro. É esse o assunto que mais interessa aos caciques neste momento da pré-campanha. O objetivo é criar alianças e organizar os palanques. Além do trabalho de convencer políticos com mandato a mudarem de sigla, os caciques circulam o estado, em busca de novas lideranças que possam agregar forças de votos, seja com a finalidade de vencer, seja para servir de escada para quem já tem mandato. Essa ciranda envolve promessas impublicáveis que somente os envolvidos sabem, mas que não declarariam nem para Brilhante Ustra, nos porões da ditadura…

 Em geral, a moeda utilizada (não é a única) nas negociações também tem o nome de real, porque é garantida pelo Fundo Eleitoral. Nesse sentido, os partidos que possuem o maior número de deputados federais possuem mais dinheiro, caso do União Brasil/PP, PL e PT, nessa ordem. Esses três grupos juntos terão metade do Fundo Eleitoral de 2026, cujo valor total é de cerca de 5 bilhões de reais. O PSD e o MDB vêm logo em seguida. É por isso que muitas siglas não interessam para muitos pré-candidatos, porque eles querem dinheiro para bancar os palanques, buscar aliados, pagar cabos eleitorais e outras despesas. Assim, o eleitor vai observar, a partir de 4 de abril, para onde foram os pré-candidatos de Rondônia e, com certeza, nenhum deles terá ido por amor ao eleitor, por causa da saúde, educação, segurança, políticas sociais. Esses temas não interessam na hora de escolher o partido, porque esses temas serão usados nos palanques, além de outros temas como a política agrária, a proteção aos idosos, mulheres, crianças e até a bíblia. Isso mesmo, a bíblia é tema de campanha e constitui o instrumento mais usado pelos candidatos hipócritas. Os políticos que fazem campanha usando a bíblia são aqueles que, após a eleição, fazem parte da Bancada da Bala em Brasília e, claro, da Bancada dos Bancos. Essa turma adora defender os interesses dos bancos em Brasília…

 No pacote, também estão as visitas aos municípios, que serão muito intensas, a partir de agora. Como o eleitor é sempre muito generoso, logicamente que vai receber com muito carinho todos os pré-candidatos, nos municípios, nos distritos, linhas rurais, igrejas… Aliás, no Brasil, muitas igrejas funcionam como verdadeiros comitês eleitorais e Rondônia nunca foi exceção. Algumas lideranças religiosas chegam ao cúmulo de dizer que seus candidatos foram escolhidos por Deus. E tem muita gente que acredita nisso!! No fim das contas, após as eleições, acontecem grandes festas de comemorações, pelas vitórias nas urnas, e a população volta a concentrar forças para organizar outra vez as celebrações natalinas… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor, Jornalista e Advogado



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