COLUNA BOCA MALDITA – TURBULÊNCIA ELEITORAL

TEMPO DE QUARESMA
Com o encerramento das atividades de carnaval no país, na última quarta-feira iniciou o período da quaresma, marcado pelas orações, jejuns, abstinência de algumas coisas e recolhimento. A quaresma é um período que corresponde a 40 dias antes da Páscoa, evento que marca a ressurreição de Jesus Cristo. Como o Brasil é um país que possui mais de 80% de pessoas declaradas cristãos, os atos e condutas que representam adotar as práticas da quaresma são muito comuns. Vale lembrar que tanto cristãos católicos como evangélicos e também outras denominações religiosas respeitam os quarenta dias de quaresma, embora haja pequenas diferenças de rituais. Logicamente que, como o passar dos tempos, o rigor no cumprimento das obrigações doutrinárias diminuiu e até mesmo algumas lideranças importantes do cristianismo afirmam que o mais importante é seguir os ensinamentos de Jesus Cristo voltados para as orações, para o arrependimento, para a fraternidade. No caso dos católicos, por exemplo, que praticavam a doutrina de não consumir carnes vermelhas, este rito hoje em dia é bem menos intenso, mesmo porque as novas gerações possuem hábitos alimentares muito diferentes de décadas anteriores. O Papa Francisco, que faleceu em abril de 2025, afirmou que a abstinência exterior é válida, sim, mas o mais importante é o “jejum do coração”.
NOVA PREFEITURA
Na última quinta-feira, aconteceu em Cacoal a inauguração da nova sede do Poder Executivo da Capital do Café. Os trabalhos de reforma e adaptação do novo prédio da Prefeitura Municipal de Cacoal foram objeto de várias denúncias e diversas polêmicas, ainda durante o primeiro mandato do prefeito Adailton Fúria. Alguns vereadores da legislatura anterior questionavam a falta de transparência nos atos e do volume de recursos empregados nas ações. Entretanto, finalmente aconteceu a inauguração e a nova sede agora funciona no Complexo Beira-Rio, local de grandes eventos culturais. Apesar das polêmicas do passado, é necessário destacar que já passava da hora de ter uma nova sede da Prefeitura Municipal, porque as instalações da rua Anísio Serrão realmente são muito precárias e não ofereciam aos servidores municipais, nem ao público, a comodidade necessária para o trabalho. Certamente, com as novas instalações, será possível modernizar a forma de atendimento ao público, visando oferecer ao contribuinte o retorno correto pelo pagamento de tributos. Com relação à sede antiga, será igualmente importante que a atual administração planeje edificar no local outro prédio que possa ser útil ao município, porque a permanência daquele imóvel velho e caindo aos pedaços num local histórico de Cacoal deixará um aspecto muito ruim, do ponto de vista da urbanização.
ENCONTROS DE DESPEDIDAS
Os vereadores de Cacoal realizaram na sexta-feira, dia 20, a primeira sessão ordinária de 2026. A sessão foi marcada por discursos emocionantes dos vereadores e vereadoras, além de reclamações pela falta de férias. Na avaliação dos vereadores/as, o exercício do mandato não dá a eles o direito de ter férias. Claro que isso deve ser uma brincadeira de nossos edis, já que eles entraram em período de recesso em meados do mês de dezembro do ano passado. O mandato, de fato, exige dos edis um pouco de dedicação aos anseios da população, mas isto não significa que eles são escravos do trabalho. Durante todo o período de recesso, vários vereadores publicaram em suas redes sociais fotos e vídeos de viagens de férias. Com um pouco mais de planejamento, eles certamente saberão organizar suas atividades de poder curtir um pouco mais, nos quase 130 dias de recesso. Ainda nesta sessão, o prefeito Adailton Fúria usou a tribuna da Câmara Municipal para anunciar, mais uma vez, que vai deixar o cargo na primeira semana de abril e vai participar do pleito eleitoral de 2026. Como já divulgado em outras ocasiões, Adailton Fúria se prepara para disputar o governo do estado e terá como seu principal cabo eleitoral o governador Marcos Rocha. Assim, o vice-prefeito Tony Pablo assumirá o comando do executivo cacoalense e já se prepara para a nova missão. Com larga experiência na administração pública, ele provavelmente não terá grandes problema de adaptação.
VEREADORA AMÁLIA

A vereadora Amália Milani tem se revelado uma pessoa muito atenta às demandas da população de Cacoal. Sempre de maneira muito elegante e firme, ela consegue cobrar da administração municipal as obrigações que o poder público tem com a comunidade, mas sabe reconhecer as boas ações da administração. A atuação da vereadora é muito importante para mostrar que é possível, sim, exercer o mandato de maneira independente, sem perder de vista os deveres do mandato de vereador. Amália Milani não faz parte do grupo de vereadores subordinados ao executivo e também possui atuação muito independente dentro da Câmara Municipal. Certamente por isso, ela tem buscado levar para a tribuna do legislativo, e também em suas andanças diárias nos diversos setores do município, diversos temas que precisam ser vistos e analisados pelos gestores municipais. Outro aspecto que deve ser salientado é a serenidade da vereadora e percepção de que não há necessidade de promover conflitos, mas de realizar as cobranças com a firmeza necessária. Na sessão realizada na última sexta-feira, Amália Milani cobrou do executivo que adote as medidas administrativas necessárias para facilitar o trabalho das pessoas que colhem material reciclável no município de Cacoal. Além disso, pelo fato de ser médica, a vereadora tem uma atuação respeitável no setor de saúde, buscando as soluções mais rápidas para atender pacientes que necessitam de urgência no tratamento.
MINISTRO DA EDUCAÇÃO
No próximo dia 25 de fevereiro, terça-feira, o Ministro da Educação, Camilo Santana, estará em Rondônia. Na agenda oficial do ministro, a previsão é de que ele venha ao estado para anunciar diversas obras de investimentos no setor de educação, especificamente relacionados com a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e o Instituto Federal de Rondônia (IFRO). Não se pode negar que o governo federal tem realizado fortes investimentos no setor da educação em Rondônia. Inclusive com a ampliação dos cursos universitários oferecidos pela UNIR e também o fortalecimento da infraestrutura da Universidade Federal e do IFRO. E os investimentos têm apresentado resultados muito positivos, entre eles o aumento dos índices de qualidade. Os dados estatísticos divulgados pelo Ministério da Educação no início deste ano revelam que a UNIR foi a única instituição de ensino superior de Rondônia que obteve nota satisfatória na avaliação do ENAMED, prova que avalia a qualidade dos cursos de Medicina no país. Durante a visita que fará ao estado, é muito provável que o ministro da educação tenha uma agenda com o prefeito de Porto Velho, Leo Moraes, com a finalidade de tratar da instalação do Hospital Universitário, que tem previsão para começar a funcionar ainda este ano. O funcionamento deste hospital vai resolver muitos problemas no atendimento e vai oferecer a oportunidade de contribuir para a formação de todos os estudantes dos cursos voltados para a área de saúde em Rondônia.
TURBULÊNCIA ELEITORAL
Os bastidores da eleição 2026 em Rondônia estão promovendo um clima de muita agitação e de uma busca intensa por um lugar ao sol. Todos os políticos, com mandato ou não, desejam disputar as eleições. Nesse intenso movimento, é claro que não poderia deixar de faltar aquela situação de inúmeras negociações. Como já é tradição na política, essas negociações de bastidores possuem como objeto troca de favores, oferta de dinheiro, ofertas de cargos e outras benesses. Os deputados estaduais e federais exigem nomeações de amigos e parentes em busca de espaço para abrigar aliados e futuros cabos eleitorais. Os políticos sem mandato não ficam de fora e também exigem muitas coisas que o eleitor comum não pode saber, mas que são muito comuns nessas articulações. Na capital do estado, fala-se de mudanças de partidos de deputados federais e estaduais para o grupo do governo. Essas possíveis mudanças não acontecem por acaso e muito menos por amor, porque esse tipo de sentimento não faz parte de nenhuma negociação. A questão é bem mais complexa e complicada, porque a máquina do governo do estado e do país é uma verdadeira vaca leiteira, por consequência, uma máquina de produzir votos. Entre os deputados que devem migrar para o grupo de Marcos Rocha, está o deputado Thiago Flores, que ficou completamente apagado durante o mandato, mas trabalha para tentar sua reeleição. Entre os novos nomes, Jesualdo Pires tem sido assediado, mas a tendência é que ele permaneça no PP, pois teria um acordo de campanha com a deputada Sílvia Cristina, que deve disputar uma vaga no Senado Federal.
FALTA DE ÁGUA
Nos últimos dias, o município de Cacoal viveu uma dura falta de água em diversos setores da cidade, principalmente no Residencial Vale Verde, local em que foram entregues as 300 casas do Programa Minha Casa Minha Vida, no ano passado. A falta de água afetou gravemente a rotina das famílias e trouxe grandes transtornos. No período de falta de água, diversos políticos e lideranças de Cacoal aproveitaram para colocar a culpa na empresa de energia do estado, a Energisa, que foi recentemente beneficiada com uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa de Rondônia. A falta de água em Cacoal teria ocorrido por um problema de falta de energia elétrica no setor de captação do SAAE. Não é a primeira vez que a falta de energia elétrica causa prejuízos à população de Cacoal e as autoridades estaduais nada fazem para que os problemas sejam resolvidos. A Energisa assumiu a oferta de energia elétrica em Rondônia após a privatização dos serviços, mesmo com os muitos protestos da população rondoniense. Além da péssima qualidade dos serviços prestados, os contribuintes de Rondônia reclamam dos altos valores das contas de energia e da falta de pessoas que trabalhem no atendimento ao público, quando é necessário resolver um problema. Muitas pessoas de Rondônia costumam fazer bonitos discursos exigindo a privatização de vários serviços públicos, mas isto precisa ser analisado de maneira serena. É possível, sim, pensar em privatizar algumas atividades, mas a Energisa é um exemplo claro de que nem tudo pode ser objeto de privatização.
GERADORES DE ENERGIA
Durante sua fala, na sessão ordinária da última sexta-feira, o vereador Edimar Kapiche chegou a dizer que os vereadores deveriam se juntar e propor que parte de suas emendas municipais sejam destinadas para a compra de um gerador de energia para o setor de captação de água do SAAE. Segundo as declarações do vereador, um motor com capacidade para atender o setor custaria em torno de 500 mil reais. É possível, porém, que haja soluções mais baratas e eficientes, como é o caso da instalação de placas solares geradoras de energia. O setor de captação de água não é o único que necessita ter energia segura e de qualidade. Por diversas vezes, já houve falta de energia no Hospital Materno Infantil de Cacoal, local que não pode faltar energia em momento algum. Com a possível inauguração do Hospital Municipal anunciado pelo prefeito de Cacoal, os vereadores e demais autoridades municipais precisam pensar também em garantir energia de qualidade nas unidades de saúde, porque a falta de energia, por parte da Energisa, certamente poderá ocorrer em outras ocasiões. Em vez de pensar na compra de geradores de energia, o vereador Edimar Kapiche e seus pares deveriam abrir uma discussão séria com a administração municipal, com a finalidade de instalar no Hospital Materno Infantil, no Hospital Municipal e também no SAAE placas de energia solar, já que estas são mais eficientes e não são poluentes.
CRIME HEDIONDO
O Ministério Público de Rondônia denunciou, na última semana, o estudante que assassinou, de maneira brutal, a professora Juliana Mattos de Lima Santiago dentro da sala de aula em uma faculdade particular de Porto Velho. O acusado foi denunciado por homicídio triplamente qualificado e o fato causou profunda comoção popular em todo o estado de Rondônia. Conforme denúncia do Ministério Público, o crime teve motivo torpe, além do que o assassino usou de meio cruel e praticou o ato de modo que impossibilitou a vítima de defesa. Com a provável aceitação da denúncia pelas autoridades do Poder Judiciário, o caso será decidido por Júri Popular, como está previsto na legislação penal do país. Neste caso, se for condenado, o autor do grave homicídio poderá ter uma pena que pode chegar aos 30 anos. Ainda na denúncia, o Ministério Público de Rondônia requer que seja aplicada a condição agravante pelo fato de o crime ter sido praticado dentro de uma instituição de ensino, o que também está previsto na legislação como fato que agrava a punição. Nas redes sociais, algumas pessoas comentaram, por ocasião do acontecimento, que a impunidade no Brasil é muito grande e que o assassino poderia estar solto em pouco tempo. Entretanto, se forem aceitas as alegações do Ministério Público e o corpo de jurados entender que as qualificadoras estão presentes, a pena mínima é de 12 anos, sendo que esse tipo de crime prevê modalidades mais rigorosas de progressão da pena. Claro que a vida da professora Juliana Matos infelizmente não será trazida de volta, mas seus familiares e amigos esperam que a seja feita a justiça.