Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Prefeito de Porto Velho leva delegado a entrevistas para transferir votos, enquanto gestão acumula críticas; administração também “escondeu” número real de contraceptivos na rede municipal de saúde

Peregrinação
Léo Moraes iniciou uma agenda pública ao lado do delegado Flori, prefeito de Vilhena no Cone Sul de Rondônia e pré-candidato ao Governo nas eleições de 2026. Léo colocou Flori debaixo do braço e iniciou participação conjunta em entrevistas e aparições estratégicas. O movimento indica tentativa clara de associar imagem dos dois e capital político, com foco na transferência de votos dos eleitores de Porto Velho para o projeto estadual do delegado.
Conta estranha
O problema é simples: transferência de votos depende de aprovação consolidada e resultados concretos. Em 14 meses de gestão municipal, Léo ainda enfrenta cobranças por entregas limitadas em áreas sensíveis como saúde, infraestrutura e serviços urbanos. Sem uma marca administrativa forte, o discurso perde força fora do núcleo mais fiel do eleitorado.
Tá “amarrado”
Além disso, o prefeito Léo opera sob compromissos políticos amplos. A governabilidade em Porto Velho exigiu alianças que reduzem a margem de manobra. Apoiar um nome ao governo estadual exige base sólida e unificada, cenário que hoje não se apresenta de forma estável.
Queimado
No caso de Flori, há desgaste adicional. Durante sua atuação em Vilhena, ele vendeu a gestão da saúde para a iniciativa privada em uma negociação milionária. O caso gerou investigação do Ministério Público, com apontamentos sobre o processo. O tema tende a ser explorado por adversários como símbolo de falta de transparência e preparo administrativo. E Flori não é popular e carismático!
Na mira
A estratégia de exposição conjunta também carrega risco jurídico. A legislação eleitoral proíbe uso da máquina pública para promoção de candidatura. Caso haja indícios de favorecimento com estrutura institucional, pode haver apuração por abuso de poder político envolvendo Léo Moraes e Flori. Esse tipo de investigação impacta a imagem e cria desgaste imediato. Já pensou se os dois fossem presos e condenados por isso?
Fora da realidade
Léo tenta apresentar popularidade como ativo transferível. Na prática, o eleitor estadual analisa histórico, gestão e capacidade de liderança própria. Sem resultados robustos na capital e com um aliado sob investigação ligada à privatização da saúde, o projeto enfrenta resistência política e questionamentos públicos.
Decola?
Segue a dúvida: Léo terá capacidade técnica, administrativa e capilaridade política para empurrar Flori até o segundo turno?

Mais um oba-oba
O prefeito anunciou a chegada do implanon e convocou mulheres para procurarem as unidades de saúde dizendo que “tem pra todo mundo”. Ampliar o acesso ao método contraceptivo é importante e merece reconhecimento. O controle de natalidade planejado ajuda a proteger jovens, famílias e a saúde pública.
Limitado
Mas os documentos divulgados pelo site FatosRO mostram que a contratação inicial foi de apenas 252 implantes, número pequeno diante da grande procura registrada nas UBS. Muitas mulheres criaram expectativa e agora aguardam atendimento.
Mais promessa
Existe nova licitação prevista com mais unidades, inclusive com recursos de emendas parlamentares. Tomara que avance rápido, porque política pública precisa de continuidade e planejamento. Comunicação responsável evita frustração. Resultado real é o que muda a vida das pessoas.
Magoado
O prefeito Léo Moraes atacou o Portal Fatos RO chamando de “FakesRO” nas redes sociais, após a publicação de dados sobre a compra de implantes contraceptivos em Porto Velho. Os próprios registros do Portal da Transparência da Prefeitura indicam outra coisa: a Ata SRPP 002/2025 mostra que foram requisitados 252 implantes dentro de uma ata que permite até 504 unidades.

Na canela
Esses números são públicos, oficiais e podem ser consultados por qualquer cidadão no link https://transparencia.portovelho.ro.gov.br/despesas/atas/1366. Mesmo diante de dados oficiais, a gestão preferiu atacar (mais uma vez) a imprensa em vez de apresentar contratos, empenhos ou atas que comprovem compras maiores dentro desse processo específico.
Outro lado
A Secretaria Municipal de Saúde informou que existem 1.409 implantes em estoque no CAF. Isso não contradiz os dados da ata, pois estoque pode incluir compras antigas, transferências do Ministério da Saúde, emendas parlamentares ou aquisições de outros processos.
Azedo
Reafirmo aqui, o que os colegas do FatosRO divulgaram: “transparência não se faz com ataque à imprensa. Se faz com informação clara, atualizada e acessível. Quando um governo prefere marketing e acusações em vez de explicar números oficiais, quem perde é a população”.
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas pelo site FatosRO durante o mês de fevereiro.
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