Manual prático de como não comunicar uma boa notícia
Bastou surgir a liminar suspendendo temporariamente a cobrança do pedágio para que brotassem, feito cogumelos depois da chuva, os "pais da criança". Cada um com seu vídeo, seu discurso inflamado e sua pose de salvador da pátria, como se tivesse acordado naquela manhã, batido na porta do juiz e dito: "Doutor, suspenda isso aí que o povo está bravo".
Informar os fatos? Detalhe menor. Dizer que a decisão é provisória? Desnecessário. Explicar que o pedágio volta? Melhor não estragar o vídeo. O importante era aparecer como protagonista exclusivo da vitória — ainda que a tal vitória tenha prazo de validade menor que iogurte fora da geladeira.
E olha que a situação pedia exatamente o contrário: menos foguetório e mais serenidade. Bastava explicar, com calma, que houve uma suspensão temporária, agradecer à mobilização da sociedade, reconhecer o papel de lideranças políticas, empresariais e, principalmente, do povo — esse figurante que quase nunca ganha crédito — e pronto. Teriam parecido adultos na sala.
Mas não. Preferiram o personalismo, o peito estufado e o discurso do "fui eu". Resultado: perderam uma chance rara de parecerem equilibrados. Em alguns casos, o silêncio teria sido mais eloquente — embora também não fosse o ideal. Porque o melhor caminho nunca foi calar, e sim falar direito.
E, principalmente, explicar o valor pedagógico da liminar: ela serve para lembrar à concessionária que não basta cobrar. Tem que cumprir metas, prestar contas e respeitar o contrato.



