Hoje é segunda-feira, 6 de abril de 2026


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Entre a cancela e o ego: a comédia da suspensão do pedágio

📝 PAPUDISKINA
📢 Crônica jornalística por Daniel Paixão

Manual prático de como não comunicar uma boa notícia

É impressionante — e confesso que já não deveria mais me impressionar — como a maioria absoluta dos nossos políticos trata comunicação pública como se fosse improviso de churrasco: fala-se rápido, alto, com convicção… e sem a menor ideia do que está fazendo.

Bastou surgir a liminar suspendendo temporariamente a cobrança do pedágio para que brotassem, feito cogumelos depois da chuva, os "pais da criança". Cada um com seu vídeo, seu discurso inflamado e sua pose de salvador da pátria, como se tivesse acordado naquela manhã, batido na porta do juiz e dito: "Doutor, suspenda isso aí que o povo está bravo".

Informar os fatos? Detalhe menor. Dizer que a decisão é provisória? Desnecessário. Explicar que o pedágio volta? Melhor não estragar o vídeo. O importante era aparecer como protagonista exclusivo da vitória — ainda que a tal vitória tenha prazo de validade menor que iogurte fora da geladeira.

E olha que a situação pedia exatamente o contrário: menos foguetório e mais serenidade. Bastava explicar, com calma, que houve uma suspensão temporária, agradecer à mobilização da sociedade, reconhecer o papel de lideranças políticas, empresariais e, principalmente, do povo — esse figurante que quase nunca ganha crédito — e pronto. Teriam parecido adultos na sala.

Mas não. Preferiram o personalismo, o peito estufado e o discurso do "fui eu". Resultado: perderam uma chance rara de parecerem equilibrados. Em alguns casos, o silêncio teria sido mais eloquente — embora também não fosse o ideal. Porque o melhor caminho nunca foi calar, e sim falar direito.

O recado correto era simples: não acabou o pedágio, houve uma pausa. Um intervalo. Um daqueles momentos em que o professor sai da sala, mas deixa claro que a prova continua valendo.

E, principalmente, explicar o valor pedagógico da liminar: ela serve para lembrar à concessionária que não basta cobrar. Tem que cumprir metas, prestar contas e respeitar o contrato.

No fim das contas, ficou a sensação de que a liminar ensinou mais do que suspendeu. Pena que nem todos aprenderam a lição. Comunicação, assim como pedágio, não é só cobrar presença — é entregar resultado.


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