Hoje é sábado, 23 de maio de 2026


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Fiscalização eletrônica e reorganização viária marcam nova fase do trânsito em Vilhena, diz secretário

Vilhena intensifica fiscalização no trânsito com radares e nova engenharia viária

Secretário Rogério Dias defende que medidas são necessárias para reduzir acidentes e salvar vidas

Fiscalização de trânsito em Vilhena

A implantação do sistema de fiscalização eletrônica e as mudanças na engenharia de tráfego colocaram o trânsito de Vilhena no centro do debate público nas últimas semanas. O tema foi amplamente discutido no programa Papo de Rua, apresentado pelo jornalista Paulo Mendes, que entrevistou o secretário municipal de Trânsito, Rogério Dias, diretamente nas ruas da cidade.

Durante a conversa, Rogério Dias contextualizou as medidas adotadas pela Prefeitura e defendeu que Vilhena chegou a um ponto em que o controle mais rigoroso se tornou inevitável. Segundo ele, o município vive um crescimento acelerado há anos, sem que o trânsito acompanhasse essa evolução. Hoje, Vilhena se aproxima de 100 mil habitantes e conta com uma frota que já ultrapassa 80 mil veículos, uma das maiores proporções per capita de Rondônia.

Crescimento sem controle e consequências graves

De acordo com o secretário, a ausência histórica de fiscalização efetiva criou uma cultura de desrespeito às regras de trânsito. O reflexo disso aparece em números alarmantes de acidentes, feridos e mortes, além do impacto direto na saúde pública.

"Mais de 80% dos atendimentos ortopédicos no hospital regional estão ligados a acidentes de trânsito. Isso representa milhões de reais por mês que poderiam estar sendo investidos em qualidade de vida, infraestrutura urbana e mobilidade", explicou o secretário.

É melhor doer no bolso do que perder uma vida ou deixar sequelas permanentes em alguém.

Para Rogério Dias, fiscalizar não é apenas punir, mas salvar vidas e reduzir gastos públicos.

Radares entram em operação com números expressivos

Durante o período inicial de testes do novo sistema, os dados já chamaram atenção. Segundo o secretário, entre os dias 17 de janeiro e o início de fevereiro, mais de 6.600 registros de infrações foram contabilizados. Em alguns casos, o mesmo veículo foi flagrado mais de 25 vezes em situações irregulares.

O sistema está sendo implantado em 18 pontos estratégicos da cidade, cobrindo 25 faixas de rolamento. As infrações monitoradas incluem excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa de pedestres.

📋 Valores das Multas

  • Até 20% acima do limite: Infração média, com multa em torno de R$ 130 e 4 pontos na CNH
  • Entre 20% e 50%: Infração grave, com multa próxima de R$ 195 e 5 pontos
  • Acima de 50% do limite: Infração gravíssima, com multa multiplicada por três e 7 pontos na carteira

O secretário ressaltou que toda a arrecadação será obrigatoriamente revertida em melhorias no próprio trânsito, como sinalização, novos semáforos, equipamentos e ações educativas.

Mudanças viárias e mão única

Outro ponto abordado foi a transformação de diversas ruas de mão dupla em mão única, especialmente na região central. Rogério Dias explicou que a medida segue critérios técnicos de engenharia de tráfego e é tendência em cidades que crescem rapidamente.

Quando não há espaço físico para ampliar vias, a mão única passa a ser a solução mais eficiente. Ela melhora a fluidez, reduz conflitos em cruzamentos e aumenta a segurança.

Agentes de trânsito e fiscalização presencial

Além da tecnologia, a Secretaria aposta no reforço humano. Novos agentes de trânsito, aprovados em concurso, devem ir às ruas para coibir infrações como estacionamento irregular, uso indevido de vagas especiais e ultrapassagens perigosas, incluindo pela direita.

As autuações feitas pelos agentes terão fé pública, mas o cidadão continuará tendo direito à defesa prévia, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Transporte coletivo como alternativa

O secretário também destacou investimentos no transporte coletivo urbano, operado pela concessionária local, que atende mais de 2,5 mil usuários por dia, especialmente estudantes. A expectativa é que o fortalecimento do sistema ajude a reduzir o número de carros e motos nas ruas.

Culturalmente, nem todos vão deixar o veículo em casa, mas uma parte significativa da população já é beneficiada. Isso, por si só, já reduz o fluxo e os riscos.

População dividida, mas consciente

Ao final do programa, moradores ouvidos nas ruas demonstraram opiniões diversas. Muitos reconhecem que a fiscalização vai pesar no bolso, mas concordam que a medida é necessária para reduzir acidentes. Outros criticam limites de velocidade considerados baixos ou apontam problemas estruturais, como buracos nas vias e semáforos de pedestres inoperantes.

Apesar das divergências, a percepção geral é de que o trânsito de Vilhena precisa mudar.

"Nova cultura no trânsito"

Encerrando a entrevista, Rogério Dias afirmou que o objetivo da gestão é construir uma nova mentalidade entre os motoristas.

Queremos um trânsito mais humano, mais seguro e organizado. Se for pelo amor, ótimo. Se não for, infelizmente, será pela dor. O que não dá é continuar perdendo vidas por imprudência.

A partir deste mês, com os radares em plena operação e os agentes nas ruas, Vilhena entra oficialmente em uma nova fase da sua política de mobilidade urbana — polêmica, necessária e, segundo a administração, irreversível.

Daniel Oliveira da Paixão
Reportagem com base em entrevista do Programa Papo de Rua, com o jornalista Paulo Mendes Daniel Oliveira da Paixão escreve para esta Tribuna Popular desde 1987

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