Com força e articulação, novos nomes entram no radar das eleições de 2026
Em Cacoal, a política não começa no palanque. Começa na cozinha, no quintal, na sombra de uma mangueira ou no balcão onde o café é passado com calma — não por falta de pressa, mas por respeito ao ritual. Porque aqui, antes de qualquer decisão importante, serve-se o café. E não é qualquer café: é café com aroma de gente empreendedora, de quem chegou com pouco e construiu muito.
Cacoal nasceu assim. No meio da floresta verdejante, foi sendo erguida por mãos vindas de longe: Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste. Gente de todo canto que apostou na terra, encarou o barro, enfrentou a distância e decidiu ficar. Mas antes deles, já havia aqui uma valorosa gente da terra. Povos originários, pacíficos, conhecedores do tempo, dos rios e da mata. Com convivência e integração, misturaram-se aos então forasteiros — que hoje já não são mais forasteiros. Desse encontro nasceu um só povo, uma só gente, que se reconhece com orgulho: somos cacoalenses.
Primeiro veio o cacau nativo, senhor absoluto das lavouras, orgulho antigo destas paragens. Depois, o café chegou com ousadia, deu um chega-pra-lá no cacau e assumiu o trono. Virou identidade, símbolo e bandeira. Mas o cacau não saiu de cena. Tentam trazê-lo de volta, agora revigorado, com status de planta premium. Pode até vir com sotaque da Bahia, não tem problema. Desde que venha com cuidado. Porque aqui não entra vassoura-de-bruxa. Em Cacoal, só entra gente boa, ideia boa e lavoura sadia.
É nesse ambiente — de café forte, cacau resiliente e floresta viva — que a política ferve. Não é campanha ainda. Oficialmente, não. Mas quem vive aqui sabe: o ano já esquentou. As conversas mudaram de tom. Já não se fala só do clima ou do preço do insumo. Agora surgem nomes, possibilidades, apostas. Tudo com aquele cuidado típico de quem prova o primeiro gole antes de encher a xícara.
Vivemos a terceira geração de políticos. Gente nova ocupando espaço, substituindo figuras antigas. Algumas deixaram saudade e legado inesquecível. Outras… nem tanto. Mas todas, à sua maneira, ajudaram a construir o caminho. E Cacoal aprendeu cedo a ousar.
Já ousamos muito. Já elegemos quatro deputados estaduais de uma só vez — feito que virou história e conversa boa de contar. Depois vieram tempos mais modestos: mandatos solitários, períodos com dois representantes. Mas para uma cidade do porte de Cacoal — polo regional por vocação, economia e gente — um é pouco, dois é bastante… mas três é melhor. E essa ideia anda cada vez mais presente nas rodas de café.
É nesse cenário que os nomes ganham corpo.
🗳️ O Xadrez Político se Arma
No União Brasil, Elcirone Deiró aparece como aquele nome que não causa surpresa. Surge com naturalidade, com estrada percorrida e reconhecimento acumulado. É citado como quem confirma algo já sabido: está no jogo porque tem lastro.
No PSD, a conversa ganha mais camadas. Cássio aparece como eixo central de um ciclo político que marcou a cidade. Foi candidato vice-prefeito quando tudo ainda era tentativa, chefe de gabinete quando o jogo mudou para o Estado, voltou como vice no primeiro mandato vitorioso e depois assumiu protagonismo na Assembleia Legislativa. É visto como braço direito de Fúria, aliado de primeira hora, desses que não mudam conforme o vento. Seu nome já não é lembrado apenas para a próxima eleição, mas para horizontes mais longos — presidência da Assembleia, articulação estadual, auxílio direto a um projeto maior para Rondônia.
E como PSD gosta de lavoura diversificada, Kapiche também entra na conversa. Nome conhecido, já testado, respeitado como vereador. Não aparece como ruptura, mas como alternativa real.
No PL, a conversa ganha outro tempero — e aqui não é de improviso, é de raiz. Fala-se de PL Mulher com presença real no Estado, organização crescente e respaldo de famílias tradicionais que ajudaram a erguer Cacoal quando tudo ainda era promessa. É política com sobrenome, mas sobretudo com história.
A força feminina aparece com naturalidade, sem caricatura, sem rótulo. Mulher que ocupa espaço porque construiu, porque trabalha, porque articula — e porque aprendeu cedo que política também se faz com firmeza e serenidade. Nesse enredo, o nome de Gil Cardoso surge como continuidade de um legado que atravessa gerações.
Seu pai, o Sr. Divino, é dessas figuras que Cacoal reconhece de longe. Chegou com uma mala debaixo do braço e uma ideia fixa na cabeça: trabalhar. Com resiliência, construiu um império empresarial, entrou para a vida pública, virou prefeito da cidade e se tornou referência entre os pioneiros. É respeitado por quem veio antes, por quem veio depois e por quem ainda aprende com sua história.
Ali, não há improviso. Há memória, respeito e continuidade. E quando a política se ancora em histórias assim, ela não precisa gritar para ser ouvida — basta lembrar quem ajudou a escrever os primeiros capítulos da cidade.
⭐O PT até tentou manter aquele velho silêncio estratégico, desses que dizem muito sem dizer nada. Ainda não anunciou nome, ainda mede o vento, ainda observa o tabuleiro. Silêncio calculado, coisa fina da política.
Mas aí… apareceu o Jabá.
Epa, silêncio? Onde o Jabá pisa, silêncio pede demissão e vai embora de mala e cuia.
O partido agora resolveu colocar seu Jabá à venda no Mercadão do PT e Companhia — produto barulhento de fábrica, sem botão de volume e com garantia vitalícia de agitação. É o tipo de sujeito que entra mudo num elevador com mais quatro pessoas e sai com dois admiradores e dois incomodados. Sempre assim: causando amor e ódio na mesma dose, uma mistura de sentimentos que só ele consegue provocar.
E o próprio Jabá já avisou aos líderes petistas de Rondônia e do Brasil: podem contar com seus serviços. Discrição? Não está no cardápio. O que ele oferece é presença em alto e bom som, militância no volume máximo e paixão de sobra.
Gostando ou não, o homem está aí, à venda no Mercadão, pronto para ser arrematado. E quando o Jabá entra em cena, a política para de cochichar — porque simplesmente não dá pra ouvir mais nada.
🇧🇷Mas eis que surge gente nova no pedaço. E não é qualquer um.
Entra em cena Wagner Sodré — ou, para os íntimos, Vaguinho. Empresário de carteirinha que se define como "Patriota raiz" — e quando alguém chega assim, já se sabe: não é figurante, é protagonista querendo holofote.
A mensagem que traz é clara: veio para a disputa com força, fôlego e a confiança de quem acredita que pode contribuir de verdade neste processo eleitoral. Não está aqui para compor cenário nem para aplaudir de longe. Está aqui para jogar — e, pelo jeito, veio pra ganhar.
O tabuleiro político ganha mais uma peça. E quando empresário resolve virar jogador, a partida costuma ficar bem mais interessante.
No PDT, Claudemar Littig aparece como possibilidade concreta. Ainda sem anúncio formal, mas presente nas conversas, especialmente naquelas de fim de tarde, quando alguém solta um "e se…?" sem compromisso, mas com curiosidade e a certeza de que já fez parte da cena política da cidade e sempre é hora certa para voltar. Ou ao menos tentar!
E há ainda um tema que atravessa todas as rodas: as candidaturas femininas. A lei exige percentual, mas Cacoal exige competência. Nomes como Dra. Amália e Nice Condaque permanecem vivos na memória política da cidade. Já foram testadas, já venceram, conhecem o peso e a responsabilidade de um mandato. Ainda não falaram — nem elas, nem os bastidores — mas política também é memória. E memória, por aqui, conta muito.
A floresta segue verdejante, o café segue forte, o cacau insiste em voltar. E a política acompanha o ritmo da terra.
Todos vão entrar forte na arte de convencer essa gente boa — trabalhadora, hospitaleira e atenta — de que são os nomes certos, no tempo certo, para comandar a cidade e ajudar a conduzir o amado Estado de Rondônia, essas Paragens do Oeste onde o céu quase sempre é azul e a política nunca esfria.
Daniel Oliveira da Paixão é jornalista, cronista, e com orgulho faz parte da história viva de Tribuna Popular desde 1987



