CARNAVAL 2026
Os eventos que marcam o Carnaval 2026 começaram esta semana no Brasil e também no estado de Rondônia. Em Porto-Velho, a capital do estado, aconteceu, no sábado, a apresentação da Banda do Vai Quem Quer, uma agremiação que está em atividade há várias décadas em Rondônia, sendo o maior bloco de rua da Amazônia brasileira. Fundado por Manoel da Costa Mendonça, conhecido como Manelão, a banda atrai milhares de pessoas todos os anos. Além de animar a população, a Banda do Vai Quem Quer realiza campanhas educativas e sociais. Atualmente a banda é comandada por Siça Andrade, filha do Manelão, falecido em 2011. Este ano, a Banda do Vai Quem Quer vai apresentar nas ruas da capital uma campanha voltada para combater a violência contra as mulheres. A campanha tem o apoio do Ministério Público de Rondônia, Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Rondônia, Governo de Rondônia e Prefeitura de Porto-Velho. Milhares de pessoas do interior do estado e de outros estados viajaram à capital rondoniense para participar do desfile da banda, que faz parte do patrimônio cultural de Rondônia e também de Porto-Velho. O fato muito positivo é que, nesses muitos anos, não há registros de ocorrências policiais durante o desfile da Banda do Vai Quem Quer. Aliás, a Polícia Militar de Rondônia e a Polícia Civil acompanham todo o evento, inclusive com policiais descaracterizados que trabalham desfilando para identificar possíveis fatos delituosos.
NÃO É NÃO!
A campanha que visa combater a violência contra as mulheres em Rondônia não é uma simples brincadeira de carnaval. Nos últimos anos, a violência contra a mulher tem aumentado de modo significativo em Rondônia e nosso estado figura entre os estados com maior número de feminicídio do país. Diversas autoridades e instituições rondonienses têm se dedicado com muita determinação à realização de campanhas e sugestões de políticas públicas visando reduzir os crimes contra as mulheres. Como o período momesco implica maior concentração de pessoas em eventos, é muito importante a iniciativa de instituições como o Ministério Publico e a Ordem dos Advogados do Brasil no combate a esses crimes. E não se trata apenas de combater o feminicídio. O assédio, o abuso, a importunação e outros crimes devem ser duramente combatidos, porque nosso estado precisa sair do topo da lista nacional relacionada com esses fatos. A campanha Não é Não precisa contar com o apoio não somente das mulheres rondonienses, mas de todos os homens, porque não é possível combater esses crimes sem a participação do segmento masculino da sociedade. Muitas vezes, esses crimes de abuso, assédio ou importunação sexual acontecem no ambiente familiar ou mesmo no ambiente de trabalho. O fato de uma mulher ser educada, acessível, simpática, não significa que está a disposição de ninguém para ser vítima de crimes sexuais. As mulheres de Rondônia merecem respeito!
FESTAS DE EMANCIPAÇÃO
O estado de Rondônia comemora, neste fim de semana, a emancipação política a administrativa de 17 municípios rondonienses. Os municípios são os seguintes: Alto Paraíso, Cacaulândia, Campo Novo de Rondônia, Candeias do Jamari, Castanheiras, Corumbiara, Governador Jorge Teixeira, Itapuã do Oeste, Ministro Andreazza, Mirante da Serra, Monte Negro, Novo Horizonte do Oeste, Rio Crespo, Seringueiras, Theobroma, Urupá e Vale do Paraíso. Todos esses municípios foram emancipados no início dos anos 90, durante o governo de Osvaldo Piana Filho, com a aprovação da Lei Estadual nº 375, de 13 de fevereiro de 1992. A emancipação foi determinante para oficializar a independência administrativa e garantir a autonomia dos municípios, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento econômico e social de Rondônia. Diferentemente de outros estados brasileiros, o estado de Rondônia possui diversos municípios de pequeno porte, mas com boa infraestrutura e com grande volume de produção. Atualmente nosso estado está entre os principais produtores soja, de café e também está entre os principais exportadores de carne bovina, peixe, frango e outros produtos que fazem muita diferença no crescimento econômico do estado. Existem em Rondônia diversos distritos que têm populações bem maiores do que vários municípios, porém não podem ser emancipados. A Emenda Constitucional número 15, promulgada no ano de 1996 alterou as regras para a criação de novos municípios.
VOLTA DO PEDÁGIO
Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) derrubou a liminar que havia suspendido as cobranças de pedágio na BR-364. Na decisão, o desembargador federal Pablo Zuniga Dourado entendeu que a Concessionária Nova 364 tem o direito de cobrar os pedágios, porque tem autorização da Agência Nacional de Transporte Terrestre e também do Tribunal de Contas da União. Na semana passada, quando a cobrança foi suspensa, diversos políticos do estado gravaram vídeos em suas redes sociais tentando ganhar a simpatia da população e dizendo que eles eram os responsáveis pela derrubada das cobranças, embora nenhum deles tenham sido realmente o autor da ação judicial. A população de Rondônia já fez vários protestos contra a cobrança do pedágio, principalmente porque as cobranças foram criadas antes de acontecer os serviços de pavimentação e segurança da rodovia. Como haverá eleições em outubro, é muito provável que um número grande de candidatos queira usar a situação do pedágio como palanque eleitoral. Entretanto, desde que iniciou o processo de privatização dos serviços de manutenção na BR 364, ainda no ano de 2017, todos os políticos do estado ficaram calados e aceitaram o andamento do processo e a realização do leilão. Na prática, é muito difícil acontecer alguma decisão agora que mude a situação, porque o grande problema foi a omissão total da classe política do estado.
BANCADA DA OMISSÃO
A bancada federal de Rondônia, nessa atual legislatura, tem tudo para entrar na história como uma das mais omissas desde a emancipação do estado. Mas os problemas não estão somente nos casos de omissão, como ocorreu com a situação do pedágio. Nossa bancada votou em peso a favor da chamada PEC da Bandidagem, que tinha como objetivo impedir que deputados e senadores sejam investigados no Brasil; grande parte da nossa bancada votou contra o programa Gás do Povo, que visa distribuir gás de cozinha para famílias pobres e votou contra diversas outras matérias de interesse da sociedade. Este ano, entrou em discussão no Congresso Nacional o projeto que prevê a redução da jornada de trabalho que atualmente é de 6 x 1. Caso mantenha o perfil de votar contra os trabalhadores e votar contra a camada menos favorecida, é possível que nossa bancada se organize para votar contra a redução da jornada de trabalho, porque o histórico indica uma forte tendência dos deputados e senadores de Rondônia a se posicionarem contra direitos da população e em defesa de temas que não possuem nenhuma importância para a classe trabalhadora. E esta mesma bancada que irá às ruas de todos os municípios do estado esse ano para pedir os votos dos rondonienses e dizer que desejam continuar o trabalho. A grande verdade e que a população de Rondônia estaria muito mais protegida, caso vários membros desta bancada atual tivessem saído derrotados das urnas em 2022. Mesmo assim, muitos deles terão total apoio dos eleitores em outubro, porque isso é tradição em Rondônia.
CABO ELEITORAL
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, concedeu uma entrevista recentemente a um jornal da capital do estado e declarou que o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria é o seu pré-candidato ao governo preferido para as eleições de ano. Marcos Rocha afirmou que fez uma avaliação sobre todos os nomes cogitados para a disputa e concluiu que Fúria tem o perfil para dar continuidade ao trabalho que ele faz pelo estado de Rondônia. A decisão do governador sepulta de vez a possibilidade de Sérgio Gonçalves ser candidato com o apoio da máquina do estado. Desde o ano passado, ocorreram diversos episódios em que o governador acusou seu vice de ser traidor. O motivo da briga entre Marcos Rocha e seu vice nunca foi divulgado, mas eles trocavam muitas juras de amor durante a campanha de reeleição do coronel, em 2022. É claro que o prefeito de Cacoal vai ter uma grande vantagem sobre seus adversários, porque a participação do governador em um palanque implica, indiscutivelmente o uso da máquina administrativa, embora muita gente tente negar. Entretanto, o candidato que tiver o apoio do governador também vai herdar a rejeição que ele tem em todo o estado, fato que pode comprometer o discurso de mudança e novidade que poderia ser usado por Fúria. No caso de Cacoal, a população e todos os vereadores costumam fazer duras críticas em relação à situação do setor de saúde. E não são críticas vazias, porque a verdade é que o governo do estado praticamente não deu nenhuma atenção ao Hospital Regional de Cacoal e ao HEURO. E a população sabe muito bem disso.
FORA DA DISPUTA
Na mesma entrevista na qual confirmou seu apoio ao prefeito de Cacoal, o Governador Marcos Rocha declarou que não pretende mesmo participar da disputa por uma vaga de senador. Desde que foi reeleito, ele tinha o nome citado em todas as pesquisas realizadas em Rondônia e diversos institutos o colocavam como favorito a uma cadeira no Senado Federal. Com a desistência do governador, diversos outros pretendentes ao cargo de senador certamente irão tentar se aproximar com o objetivo de tê-lo como cabo eleitoral no pleito. Até este momento, vários nomes da política regional ainda estão com muitas dúvidas sobre entrar na disputa pelo governo ou por uma vaga de senador. A saída de Marcos Rocha do cenário certamente vai facilitar a vida de vários indecisos, mesmo aqueles que sabem que não terão o apoio do governador, mas também sabem que a luta pelo voto ficará menos complicada. Como o governador anunciou que permanecerá no cargo até o dia 5 de janeiro do próximo ano, sua esposa Luana Rocha e seu irmão, Sandro Rocha, ficam automaticamente fora da disputa. Eles pretendiam, segundo as informações divulgadas na imprensa, disputar uma cadeira de deputada federal e deputado estadual, respectivamente. Entretanto, a legislação impede a candidatura de parentes do governador no mesmo pleito, quando eles não exercem mandato. Luana Rocha, por exemplo, estava cotada para ter uma votação expressiva, mas isso é apenas uma avaliação do grupo do governo, já que ela nunca disputou nenhuma eleição.
CARGO DE MINISTRO
Alguns assessores do governador Marcos Rocha têm comentado, nos corredores do Palácio Rio Madeira, que a decisão de não disputar o Senado Federal teria como principal motivo uma promessa de Gilberto Kassab ao governador no sentido de ocupar um cargo de ministro no futuro governo do Brasil, a partir de 2027. Marcos Rocha deixou o União Brasil poucos dias atrás e anunciou sua filiação ao PSD de Kassab num vídeo em que ambos trocam vários elogios. Considerando o atual cenário nacional, em que aparecem como os preferidos do eleitor o atual presidente Luís Inácio Lula da silva e o senador Flávio Bolsonaro, então Marcos Rocha seria ministro de um deles. Em caso da vitória de Lula, é pouco provável que o governador de Rondônia encontre espaço para virar ministro, porque ele está muito distante do grupo que lidera o país hoje. No período em que Lula veio a Rondônia anunciar a instalação do Hospital Universitário, Marcos Rocha ignorou o evento e declarou alguns dias depois que não compareceu, porque não sabia da agenda presidencial no estado. Esse é mais um motivo que o distancia de qualquer possibilidade de ser ministro num provável novo governo petista. Quanto a ser ministro de Flávio Bolsonaro, a possibilidade maior seria um anúncio de outros nomes de Rondônia, embora Gilberto Kassab tenha bom trânsito em qualquer governo do país. Em um governo ou outro, já que não existe nada impossível em política, resta saber que ministério abrigaria o atual governador. Essa história parece muito mais uma mera especulação.
QUERO COLO
O acordo selado entre o prefeito de Cacoal e o governador do estado vai fazer muita gente mudar de opinião, inclusive diversos aliados políticos do prefeito. No caso da Câmara Municipal, o vereador Edimar Kapiche está entre os maiores críticos do governo estadual e costuma fazer duros discursos na tribuna da Casa de Leis, citando diversos secretários de estado, principalmente o secretário de saúde, Jeferson Rocha. Como anunciou recentemente que é pré-candidato a deputado estadual, Kapiche poderá subir no mesmo palanque onde estarão várias pessoas que hoje são muito criticadas por ele. Diversos secretários do governo de Marcos Rocha devem disputar as eleições pelo PSD, partido que o coronel assumiu o comando estadual no mesmo de janeiro e mesma sigla na qual está filiado o vereador Edimar Kapiche. Aliados do governador e do prefeito Adailton Fúria garantem, porém, que uma reconciliação entre Kapiche e o grupo do governo é questão de tempo, porque certamente o vereador não vai abrir mão de ter um palanque de luxo, caso decida mesmo tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado. Muitas pessoas podem ter esquecido, mas o vereador Edimar Kapiche já foi colocado no colo pelo governador Marcos Rocha. Naquela época ele também era um crítico ferrenho do governo, mas ficou muito sorridente ao ganhar um colinho do coronel. Como possui estilo conciliador, com certeza, não haverá nenhum obstáculo no processo de reconciliação.



